Arquivo para Março, 2008

dedos~

 

# a ponto de te arrastar pra choupana e te mostrar o que sou capaz de fazer com as extremidades dos meus mais arredondados dedos.

 

a~

 

# julio prestes a. eu presto para. você, meu bem, simplesmente não presta.

 

cicatrizes~

# tudo é carne. tudo é sexo. é no que as pessoas pensam. as relações são baseadas na sexualidade. tudo muito estranho. um corte com faca. a sociedade sempre nos traz algumas cicatrizes. tesoura, unhas, palavras, atitudes, indiferença, estupidez. muita coisa me fere. quase tudo corta profunda a pele.

 

quero~

# eu quero um lugar tranquilo para escrever e uma vida social divertida, aproveitar todas as possibilidades de estar com meus amigos.

 

vitrine livraria cultura/artes~

1.                                                                                                                       no sertão o amor já nasce estrangulado de saudade.

 

2.                                                                                                                                                             no sertão se fala pouco, a quentura corta as palavras ao meio.

jô~

# me apaixono e vejo fluir esta CONSEGUIDINHA primeira peça em sp. primeira vinda a sp. primeira vez de tudo que ainda está por vir.

sítio, feriado de páscoa~

# minha sobrinha ao folhear a revista bravo! desse mês: ‘homem feio!’. saio em defesa e digo: ‘beethoven é linnndo! beethoven é uma graça!’. ela passou a repetir a frase a noite inteirinha e detalhe: com sotaque baiano. é linnnnnnnnnnnnndo…  :)

# sítio, feriado de páscoa. festival de saquê: morango, kiwi, abacaxi, maracujá. saquê tem aquela história de não sentirmos o gosto do álcool e exatamente por isso ele ser perigoso: sobe rápido sem percebermos. no  meio da folia na mesa da cozinha minha mãe solta: “não tô sentindo naaaada! … não tô sentindo as pernas, os braços, sei lá quem sou!”. exagerada, claro.

 

clarice~

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*embora eu saiba que o horror – o horror sou eu diante das coisas.

conversas de canto na USP~

01:

“e minha mãe dizia: eu gostava de ler, queria ler. então, eu roubava livros. não é isso: a educação para todos? para todos os que podem comprar livros? então”.

02:

“pegava e juntava uns R$ 400, ía nas feiras de livros e enchia a estante. isso, já no mestrado, porque na graduação entrei com uns três exemplares na prateleira”.

03:

“aluno de letras tem que montar uma biblioteca mínima, que seja”.

04:

“nunca coloque nada entre parênteses. exemplifico: (re-) descobrindo, (re-)inventando”.

05:

“ela é totalmente rococó”.

papos na lanchonete da FAFELECH. :)

 

USP~

vinte e cinco de março de dois mil e oito: minha chegada na USP! e só me lembro de fernando pessoa, que um dia disse: “porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura”.

 eu vejo a vida melhor no futuro~

 

bonitinho~

 

poesia p. angeli~

céu azul,
pernilongos ainda escondidos,
pernas caminhando pela avenida linda
sem estarem depiladas.


biblioteca~

# todos os dias eu gostaria de ter acesso a uma biblioteca.

este ano em sp: + de 20 foram fechadas por falta de público! e de vergonha na cara do prefeito, lógico.

 

fala~

só fale quando a
intuição
inspiração
provocação
te orientarem o diálogo.

 

 

amor 2º n.rodrigues~

“eu acho o sexo uma coisa tranquilamente maldita. a não ser quando se dá esse acontecimento inacreditável, do sujeito encontrar o amor. mas para isso o sujeito precisa de 15 encarnações para viver um amor. porque a mulher amada, nada a obriga a estar na cidade onde a gente mora, no bairro onde a gente mora, a cruzar o nosso caminho. de forma que encontrar a mulher amada é um cínico e deslavado milagre. então o sujeito não tem o direito de usar o sexo, a não ser por amor. e dizer que isso é uma necessidade é uma das maiores burrices que se pode imaginar. chego aqui e vejo o quê? que ninguém ama ninguém, que ninguém sabe amar ninguém. então é preciso trair sempre, na esperança do amor impossível. tudo é falta de amor: um câncer no seio ou um simples eczema é o amor não possuído”.

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