“Ainda não li e já gostei do novo livro do Chico. Gostei até do título Leite Derramado. Acho que quando a nossa geração tiver que fazer um balanço dos seus merecimentos e misérias para ser julgada, poderemos todos usar esta credencial: fomos contemporâneos do Chico Buarque. E exigir tratamento especial.” (luis fernando verissimo)
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{} “naquela mesma semana, antunes fora assistir a um ciclo de cinema que incluía o diretor japonês koji wakamatsu. dos 6 filmes, assistiu a 4. andou no metrô quase deserto à noite e se lembrou da solidão que sentia quando era garoto e ía assistir a filmes no bairro paulistano da lapa, sozinho. percebeu que a caminhada solitária entre um filme e outro foi o maior lucro de sua vida. foi na volta desse ciclo que ele notou que esse tipo de solidão é aquela que você escolhe “para brincar”. naquela caminhada, a viagem se realizava. algo como os monges, que vão de um lugar a outro para aprender. ‘o importante não é um lugar nem outro. é a viagem. é a solidão com seus pensamentos, você e seu espírito’, diz.”
# os escafandristas virão explorar sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos. sábios em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização. (CHICO BUARQUE)
“sábado-domingo-segunda-terça-quarta-quinta-e-na-sexta: lobiswoman”.
(LEDUSHA)
“cabral: o culpado de tudo! freud: diretor espiritual da burguesia. leonardo da vinci: criador do sorriso burguês. noé: diretor do grande circo aquático que percorreu o mundo a toa e acabou se dispersando por falta de público”.
já não existem os bidês
readymades das senhoritas asseadas
já não existem os jatos de água gelada
nas chaninhas nem nos cus
para conhecer o frescor genital
as mocinhas brasileiras têm que tomar uma ducha
lamentável que a população
passe o dia com o cu sujo
essa fermentação
boa coisa não pode trazer
Gretel Morgenroth (1973)
‘raimundo silva olha o relógio, se dentro de meia hora maria sara não telefonar, telefonará ele, como estás, meu amor, e ela responderá, viva, e ele dirá, é um milagre’.
——há cinco dias, terminei A AUTOBIOGRAFIA DE ALICE B. TOKLAS escrito por GERTRUDE STEIN. poeminha dela:
I love my love with a v
Because it is like that
I love my love with a b
Because I am beside that
A king.
I love my love with an a
Because she is a queen
I love my love and an a is the best of them
Think well and be a king,
Think more and think again
I love my love with a dress and a hat
I love my love and not with this or with that
I love my love with a y because she is my bride
I love her with a d because she is my love beside
Thank you for being there
Nobody has to care
Thank you for being here
Because you are not there.
And with and without me which is and without she she can be late and then and how and all around we think and found that it is time to cry she and I.
#
—–Eu amo meu amor com um v
Porquê é assim
Eu amo meu amor com um b
Porquê eu sou além disso
Um rei
Eu amo meu amor com um a
Porquê ela é uma rainha
Eu amo meu amor e um a é o melhor deles
Pense bem e seja um rei
Pense mais e pense outra vez
Eu amo meu amor com vestido e chapéu
Eu amo meu amor e não com isto ou aquilo
Eu amo meu amor com um y porquê ela é minha noiva
Eu a amo com um d porquê ela é meu amor além disso
Obrigado por estar lá
Ninguém tem que se importar
Obrigado por estar aqui
Porquê você não está lá
E com e sem mim o que é e sem ela ela pode estar atrasada e então e como e tudo em volta nós pensamos e descobrimos que é tempo de chorar ela e eu.
———-paraíso artificial: espreguiçar nos braços dos livros~
Publicado 24 Setembro, 2008 ASPAS~ Deixar um ComentárioWALY – O que não dá na contracultura ou no movimento hippie é esse culto à ignorância. Eu preciso ler, ler, ler… É como se não me bastasse, como se não tivesse ponto terminal. O meu veículo, o meu ônibus, não tem ponto terminal. Então, estou sempre atrás de novas camadas de leituras, de interpretações do mundo, pois não há uma interpretação finalista do mundo. Eu estou sempre em movimento, buscando novas significações, novos sinais. Eu acho que é assim que o homem tem que ser.
O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que se instale de felicidade. Que mais resta, então, senão chorar?
(sarameigo – obrigada por existir)
“por outro lado, a solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos”. (carlos drummond de andrade)
“minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. não é. a coisa mais fina do mundo é o sentimento.” (adélia prado)
# que culpa tenho eu? será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?
“pela milionésima e mais uma vez e mais…”
